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Relato Audax 200KM Cristalina (2014)

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Primeiramente gostaria de agradecer à organização. Estava impecável como tem sido tradição das provas realizadas pelo Clube Randoneiro Cristal (até hoje eu lembro daquele Misto-Quente – QUENTE! sendo entregue a nós na beira da estrada nos PCS finais do Audax 300).

Sem vocês nada disto seria possível e nós brasilienses e demais da região teríamos que ir a outros estados para podermos completar a série.

O bom filho a casa torna.

Este foi meu primeiro Audax em Fevereiro de 2013. Lembro bem de tudo.

Mais uma vez, a prova foi bem legal. Largamos em pequenos pelotões até a curva da GO-020. Este pedaço foi diferente do trajeto original. A parte do desvio pela GO-020 trazia vantagens – pouquíssimo movimento de carros –  mas a desvantagem de um asfalto bem ruim. A bike inteira tremia e isto dificultava um pouco a manter uma velocidade mais elevada. Fui conversando com o Lucas e com o grande Carlos Paulo (de Cristalina, já companheiro de alguns outros Audaxes) mantendo uma boa média. Chegando no PC1 (Lanchonete Campos) parei rapidamente para abastecer de água e parti.

Carlos Paulo camarada gente fina!
Camarada Carlos Paulo!

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Voltamos até a BR-050 e o asfalto estava sensivelmente melhor. Fui mantendo aproximadamente a mesma média. Ao chegar nos PCs, Via alguns amigos saindo quando eu chegava, outros chegando quando eu saia. E seguia….

O clima estava quase perfeito (bem diferente das provas que fiz lá em Fevereiro). Nublado por todo o tempo, e um leve chuvisco (apesar de ter ouvido relatos que alguns mais rápidos chegaram a pegar chuva). Tudo colaborava.

No ultimo PA (KM 152), dei uma verificada no GPS e estava com média de 27.1KM/H. Eu dei uma parada mais longa.

Chegaram ali o Agney e a Júlia. Segui pedalando “mais ou menos” com eles (as vezes um pouco a frente, as vezes um pouco atrás). A partir do KM 152 eu perdi um pouco o pique e a velocidade caiu. Fui pedalando em ritmo mais lento até quase no fim e cheguei a parar no meio da estrada quando faltavam 1.6KM para completar (foi a minha única parada fora de um PC/PA). Meti os 2 pés no chão e respirei um pouco.  Segui e completei.

Já na chegada com o Jõao Bruto
Já na chegada com o Jõao Bruto

Media final 23.1KM/H, 8H42M.

Sem câimbras, sem pneus furados.

Eu ultimamente tenho desconfiado que problemas de alimentação estavam me prejudicando um pouco. Nos últimos 4 audaxes e nos pedais de longa distância era quase uma regra… Chegava no KM 80-90 e começava um princípio de câimbra na perna. Eu ia gerenciando esta câimbra dando uma aliviada, uma hora forcando mais a outra perna, etc. Mas obviamente nunca era uma coisa boa. E depois dos 300KM sempre batia uma fadiga quase crônica que só passava depois que eu comia algo (como foi colocado no meu relato do Audax 600KM de Florianópolis e no 300 de Hidrolândia).

Eu sempre seguia naquela regrinha simples (e leiga) de nutrição – Carboidratos antes do treino, proteína após treino. Sempre comia uma macarronada, Uma lasanha ou um risoto. Isto está certo. Mas estes pratos não são muito ricos em Sódio.

Desta vez resolvi mudar. Na noite anterior comi Pizza de Aliche (ou anchova, como alguns chamam) que é bem rica nisto.

 

Peixinho milagroso
Peixinho milagroso

15 gramas do peixinho te dão 900mg de sódio (37% do valor diário recomendado).

A diferença foi enorme… Não tive nada de câimbras em momento algum da prova. Deu para fazer uma média real de 27.1KM/h até o PA do KM 152. A partir dali quebrei um pouco e a média final caiu para 23.1KM/H, talvez pela falta de mais alimento.

Jeito vai ser fazer algo neste estilo:

 

PedalandoPizza

 

Nos próximos pedais….

 

Audax 600KM de Florianópolis.

Não consegui de novo.

Da primeira vez estava bem fisicamente, beeem melhor do que estou agora – mas tive problemas com a bike. Desta vez a bike foi impecável…. Zero furos, zero problemas mecânicos. O que faltou foi perna mesmo.

Na sexta feira, no período da tarde eu fui pedalando até a Della Bikes (que também seria nosso ponto de largada) para buscar o kit da prova (Camiseta, mapa, carta de rota, placa de numeração). Voltei pro hotel.

A noite, iria rolar a reunião técnica no hotel aonde eu estava hospedado. Foi la que encontrei pela primeira vez nesta viagem o guerreiro Sandro (mesmo camarada do Audax 400 do Rio das Ostras) e a Andrea Malafaia.

Reunião Técnica
Reunião Técnica

Saguão de convenções do hotel um pouco cheio. Ouvimos os comentários da organização da prova sobre o trajeto e tudo certo. Jantei, voltei pro quarto, deixei tudo pronto e dormi.

3AM despertador toca… Hora de partir. Tomo um banho rápido e sigo pedalando até a largada (3km).

Chegando lá encontro a galera toda, faço a vistoria. Tudo ok…

Pós vistoria. Pronto pra largar.

Dentro e já vistoriado, encontro o Sandro novamente. Todo animado pra largada.

Guerreiro Sandro
Guerreiro Sandro

e nada da Andréa. Comecei a ficar preocupado se ela iria aparecer ou não. Até que nos minutos finais ela chegou.

Partimos. Na largada fui bem e consegui fazer o trecho urbano seguindo o 2o pelotão para não precisar utilizar o GPS.

No caminho ao PC1, eu errei um pouco a rota, não fiz a curva onde deveria e segui por 1KM em erro. Iniciando a volta, encontro bem uns 12 ciclistas que também cometeram o erro(um deles ainda insistindo que o caminho estava certo). Todos voltamos e pegamos a rota correta (mas já sabia que meu total na prova daria 602KM).

Na volta encontrei a Andrea. Segui pedalando com ela.

Perto do PC1, passando por São Pedro de Alcântara, existem umas descidas simplesmente sensacionais. Se alguém vier para Floripa e tiver disponibilidade de bike, sugiro pegar o carro e ir ate la só para fazê-las. São descidas diferentes das que normalmente a gente encontra… Descidas longas a gente tem por toda parte, mas estas além de terem um asfalto bom, eram cheias de curvas. Fazer esta descida rápido parecia um pouco cena de filme. Muito legal.

Numa destas descidas me aconteceu um fato inédito. Vi um vulto escuro voando em minha direção e fui atingido na Viseira do capacete. Era um pássaro. Eu não cai, e o pássaro seguiu voando, mas que foi algo diferente, foi. Tipo do momento que eu gostaria de estar filmando.

Chegamos no PC1, Padaria do Anésio. La comi um sanduíche, bebi água, achocolatado parti.

Eu estava com uma velocidade media boa, sem sentir cansaço algum, estava super confiante. Eu diria até um pouco pilhado porque iria finalmente conseguir me tornar um Super Randonneur.

No caminho, vi um carro recém capotado no outro lado da pista (uns 70m, era uma pista dupla de mão única com divisória no meio) e vi um monte de gente correndo la para prestar socorro. Resolvi não parar pois além de ter muita gente, eu nao sou medico, bombeiro, socorrista, nem nada que pudesse acrescentar ali no momento.

O PC2 era LOOONGE pra caramba, 129KM do PC1, Sugeri para a Andrea que fizéssemos uma parada para almoço, tendo em vista que o outro PC seria em uma padaria também e provavelmente teríamos que ir a algum outro lugar para almoçar melhor de qualquer forma.

Paramos em 1 churrascaria, onde encontramos um outro grupo de ciclistas. Comi, descansei um pouco e saímos. Na saída, a Andrea ficou um pouco pra trás e me gritou que o Pneu dela havia furado.

Fizemos a troca e seguimos. (nota mental: tanto eu quanto Andrea precisamos treinar muito fazer trocas de pneus.)

Chegamos ao Beto Carreiro World. Brinquei com a Andrea que se a gente treinar ano que vem dava pra chegar com tempo bom ali e ir nos brinquedos antes de seguir pro resto da prova…

Beto Carrero World
Beto Carrero World
Beto Carrero World
Beto Carrero World

Seguimos para o PC2, em Guaramirim.

Eu ainda estava super confiante.

Eu ia passando em todos os pontos que tive problemas com a bike no ano passado e lembrando… “Aqui foi o primeiro furo, aqui o segundo, aqui começou a chover, aqui furou de novo” e ver que eu não estava tendo nenhum destes problemas neste ano me davam ainda mais certeza que iria completar tudo.

Ate tirei foto da Osni Bike, lojinha do interior, para a qual no ano passado eu corri de sapatilha por uns 5KM e empurrando a bike pra tentar conseguir uma câmara de ar e ao chegar la descobri que não tinham.

Osni Bikes
Osni Bikes

Chegando, parada rápida para obter o Boleto, colar no Passaporte e seguir. Lá encontro o Sandro novamente e resolvo fazer uma sacanagem com ele.

Lembram dele todo alegre na largada?

O que um Audax 600 nao faz com a pessoa.
O que um Audax 600 nao faz com a pessoa.

Seguimos para o PC3 em Guaramirim.

No caminho, pneu da Andrea fura novamente. Fazemos a troca, a câmara nova também fura durante a troca e acabamos tendo que fazer novamente.

No caminho, começa a chover um pouco. Pergunto para Andrea qual opinião ela tinha. Se arriscávamos um pouco mais ou se parávamos para colocar capa de chuva. Ela quis arriscar. Não foi uma boa ideia… Quando começou a chover não deu tempo de botar a capa de chuva antes de estar tudo molhado.

Chegamos no PC3, comi uma batata recheada, tomei um cafe e descansei um pouco.

Eu no PC3, ja nao tao confiante
Eu no PC3, ja nao tao confiante

Como era um PC virtual, peguei o boleto e seguimos.

No caminho pro PC4 (Blumenau), encontramos vários grupos e ciclistas. Alguns parados, outros passamos pedalando. Foi neste caminho que senti que talvez não fosse conseguir. Este caminho tinha algumas subidas.. nada exagerado, mas eu estava morrendo. Eu sinto que meu problema pode ser nutricional. Toda vez que eu comia algo em algum posto, restaurante, etc, eu saia como se eu estivesse novo. Era outra pessoa. Mas o pique novo durava 1h e se apagava. E não daria para ficar parando pra comer de 1h em 1h sem estourar o tempo.

Eu desisti a 4km do PC4. Eu iria chegar la com 1h de sobra. Mas do jeito que o meu corpo estava se comportando, sei que no PC5 eu também chegaria, e taaaaalvez, se fizesse muito esforço ao PC6, mas de forma alguma conseguiria o 7 o 8 e a chegada.

Resolvi então abortar ali para não prolongar o sofrimento. Peguei um táxi (plano era ir ate o PC4, e ver se eu conseguia alguma carona ate o PC5, que eh a pousada, aonde minha mochila estaria).

No caminho fiquei muito triste com 1 coisa. Vi a Andrea me esperando (perdendo tempo portanto) e parei o táxi pra avisar a ela que estava abortando.

Acabei indo de táxi do PC 4 ate o PC5 e já que estava com quarto reservado pela organização da prova, eu iria dormir das 2am até as 6am e no dia seguinte ver como voltaria para Florianópolis.

3 Outros ciclistas que também estavam abortando me ofereceram carona, e na manhãzinha seguinte vim de carro.

Os ciclistas que me deram carona pra Floripa.
Os ciclistas que me deram carona pra Floripa.

No caminho, ja na BR101, cruzamos com o Sandro e com a Andrea.

A Andrea infelizmente acabou errando o caminho do PC6 e perdeu muito tempo de prova (parte disto culpa minha) e resolveu abortar também. O Sandro ainda não tive noticias se conseguiu completar ou não.

Por minhas contas estimo que uns 12-15 ciclistas não conseguiram completar esta prova. Ano passado foi um pouco mais fácil.. Apenas eu abortei.

Mas digo apenas o seguinte, gostei pra caramba da prova, e mesmo se soubesse o resultado, faria novamente.

Segue abaixo o caminho que fiz 318KM de um audax 600.

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Saldo: Câmaras furadas EU 0, Andrea 3.

 

Audax 400KM de Rio das Ostras

Encarar um Audax 400km depois de passar 20 dias sem pedalar por conta de uma gripe foi meio loucura, mas achei que seria tranquilo pois a altimetria prometia ser super tranquila em comparação com os outros audaxes.

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Perfil de elevação

Empacotei tudo e fui.

Bike pronta pra guerra
Bike pronta pra guerra

A prova teria no total 1500M de ganho de elevação. Isto para 400KM é bem pouco, considerando que o Audax 300KM de Hidrolândia teve 4207M de ganho em um percurso menor.

Então tranquilo – pouca subida, clima razoável… o que poderia dar errado?

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Ventinho “tranquilo” da região

Um vento de 20-25km/h direto na cara o tempo quase todo do trajeto. Na reunião técnica nos foi explicado que o vento viria forte e exatamente na direção contraria a rota na ida, mas que existia a possibilidade de vento a favor na volta.

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Reunião técnica

Bom, isto não ocorreu.

Uma amiga minha, ciclista bem mais experiente que eu e que ja havia feito o Audax de Rio das Ostras  – Andrea Malafaia – em conversa falei que iria fazer os 400KM de lá, e que deveria ser algo fácil com aquela altimetria… me respondeu – “Mas com aquele vento, eu preferia umas subidonas…”  mas o “esperto” aqui não achou que seria tao difícil um “ventinho”.

Eu e o João antes da largada
Eu e o João antes da largada

Largamos, fui “quase” acompanhando o colega João Pimenta até o primeiro PC, em Macaé (KM 68).  Chegamos lá com uma média boa, o João informou 26km/h.  O PC era bem tranquilo,  e bem completo. Comemos rapidamente algumas coisas leves (banana, pé-de-moleque, etc) bebemos e partimos.

Do PC1 para o PC2 o João já estava bem mais rápido que eu e já ia pegando distância. Pela minha falta de forma, achei melhor não forcar para não ter problemas. Da mesma forma que ocorreu no Audax de Hidrolândia, eu comecei a ter câimbra nas duas pernas, por volta do KM 80. Segunda vez que isto me ocorre, mas forço um pouco e a perna vê que chorar não vai adiantar e para com a câimbra.

A caminho do PC2, ocorreram 2 problemas.

1) Uma garrafa minha caiu e quebrou. Eu estava apenas com 2 garrafas (sem água na camel para não carregar peso) e entre os PCs, a distancia era imensa e com bastante calor. Fiquei sem água por bem uns 40KM até chegar e poder abastecer (aí enchi a mochila além da garrafa que sobrou).

2) Por erro meu e tambem  do tracklog que foi postado no site, eu e mais 2 ciclistas não estávamos conseguindo encontrar o ponto. O ponto de encontro não batia e ficamos girando atrás do local. (depois fui informado que o mapa que postaram foi o mesmo do Audax do ano  passado, e que neste ano o PC era em outro lugar).

Pedalamos um monte e perdi bastante tempo, mas esquecendo o tracklog e indo para planilha acabamos encontrando o PC2 (Quissamã, km 117).

Lá, fui encontrar novamente o João no PC2 Ele já havia almoçado e descansado e eu estava apenas chegando.

Peguei meu prato, comi, conversei, etc… Estava tudo teoricamente bem pois estávamos rodando com boa velocidade média. Por conta do erro, não estava.

Chegando no PC3 (Barra do Furado) – a moça do PC nos informou que ele seria fechado as 20:20h, eram 20:08h. Agilizamos tudo e partimos eu e Sandro, senhor gente finíssima  e guerreiro que conheci lá.

O Sandro era guerreiro – 67 anos, já conseguiu completar o Paris-Brest e apesar de ter caído logo no início da prova ( e aparentemente quebrado o dedo), resolveu continuar.

Guerreiro Sandro com Joelho e dedo enfaixados na chegada
Guerreiro Sandro com Joelho e dedo enfaixados na chegada

Fiz o resto inteiro da prova com ele.

Chegamos no PC4 (Farol de São Tomé) com uns 30 minutos de crédito. A organização havia acertado com a lanchonete que teríamos direito a um refrigerante, um sanduíche, um doce (sonho/etc) e água a vontade. Pedi para a moça trocar meu doce por um café e descansei um pouco.

Agora é a volta… Cada KM rodado nos aproxima do final.  Isto dá um efeito moral bom.

Mapa do trajeto
Mapa do trajeto

Mas mesmo com este efeito moral, quando dei uma paradinha para descansar na estrada o frio atacou. Pela previsão, a temperatura seria de 15 graus na madrugada, mas com aquela ventania a sensação térmica deve ter estado na casa dos 12 graus. Foi eu deixar o corpo esfriar que comecei a tremer as mãos e bater o queixo de forma absurda. Achei que teria que abortar ali mesmo mas depois de colocar a roupa quente deu pra segurar um pouco e começar a girar. Corpo esquentando e casaco o frio deu um tempo.

Resto da volta foi sem incidentes. Cansado mas “melhorando” a performance e dentro do tempo dos PCs. Sempre tomando cuidado com o tempo mas já meio que sabendo que conseguiria.

No final, o objetivo alcançado, mais uma prova “brevetada”.

Este foi o Audax que eu mais cheguei perto do tempo limite.

Resultado final de bastante suor
Resultado final de bastante suor

Queria agradecer ao meu amigo Mac, que me emprestou o apartamento em Rio das Ostras. O apartamento tinha uma vista horrível mas era muito confortável. Valeu Macolezz!

Vista do apartamento
Vista do apartamento

E tambem agradecer ao Sandro, que me aturou por tantos KMs.

Algumas fotos a mais da prova.

Já com passaporte na mão e pronto pra largar
Já com passaporte na mão e pronto pra largar
A magrela pronta para a sangria
A magrela pronta para a sangria
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Instantes antes da largada
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Cara de morto na chegada
Matando a fome já com a medalhinha
Matando a fome já com a medalhinha

 

E que venha o Audax 600KM de Florianopolis !!!LOGO-136813_200x200

Relato sobre o Audax 300 de Hidrolandia

Falta de preparo, falta de planejamento e imprevistos marcaram esta prova. Na quinta feira anterior ao pedal que largaria sábado, eu fiquei até as 4AM trabalhando pra deixar tudo adiantado no trabalho. Até ai tudo bem, eu havia solicitado licença no período da tarde para poder ir cedo para Hidrolândia, preparar as coisas e dormir cedo.

Mas outros imprevistos ocorreram de forma que eu e Evandro saímos para lá umas 5:30/6h se não me engano. Engarramento, transito lento e fomos chegar la umas 10h. Como a pousada já não tinha serviço de restaurante funcionando, o funcionário nos indicou irmos para a “pracinha” pra jantar. Eu e Evandro comemos um hambúrguer e voltamos.

Preparamos tudo e fomos dormir. Um cachorro grande FILHA DA PUTA da vizinhança ficava latindo toda hora que ouvia alguma coisa… ate grilo fazendo CRI CRI fazia o bichano latir. O Evandro  queria ir la dar um tiro nele, mas no final nem eu nem ele dormimos direito.

Fazer Audax com 2 noites seguidas viradas e sem treino. E ainda um 300km de Hidrolândia.  Qualquer dia me internam…

Despertador toca as 4AM. Acordamos, ducha rápida e vamos pro café da manha. O idiota aqui resolve só comer massa e doces. Zero de Sal.

Saímos 10m atrasados e partimos.

Primeira zica: Ainda no escuro eu escuto o Evandro xingando. Pneu dele fura. Paramos pra trocar. Nisto para um carro da organização (que a propósito foi impecável). E o Flávio nos ajuda na troca. Evandro coloca a câmara  nova e começa a encher… O pneu não enche. Deve ter mordido quando foi colocado e furado novamente. Passo minha câmara reserva pra ele e fazemos mais uma troca… IDEM. O camarada da organização nos empresta uma e na terceira troca a coisa da certo e partimos.

Como o indivíduo aqui não ingeriu sais suficientes, naquele vacilo no café da manhã, no KM 80-90 eu começo a sentir as duas pernas querendo travar com câimbra.  Paramos num posto e comi uns salgadinhos. Uns 15KM depois a coisa resolveu e não senti a perna travando pelo resto da prova.

A quantidade de sal perdida no suor em uma prova assim

Seguimos pedalando até o PR. Parando algumas vezes em postos para comer algo e abastecer as caramanholas.  O Evandro sempre na frente imprimindo um ritmo bom desde a largada e eu atrás, tentando ser uma cópia carbono apagada desta impressão.

O Evandro (merecidamente apelidado de The Bala) eh aquele cara que serve pra você que acha que pedala bem, que ja fez Audax X Y e Z, etc ver que a coisa não é bem assim. O camarada pedala muito.

Chegamos no ponto de retorno no KM 161, Posto ALVORADA.

A organização foi excelente, reservaram uma sala (imagino que pra eventos) para nós. Chegando lá pela primeira vez em um Audax, senti o frio de um ar-condicionado. Lá tinhamos um lanche e sucos prontos e cadeiras para descansarmos.

Ainda com cara de vivo, no KM 161

Ficamos lá por volta de 1h deitando no chão, o Evandro tomou banho no banheiro do posto (que havia já sido pago pela organização do Audax) e saímos de lá as 3:20PM aproximadamente.

Meu ritmo caiu mais ainda no retorno.  Perna sem render nas subidas.  Viemos por minha culpa mantendo uma média que imagino ficasse na faixa dos 17-18km/h.

Já era noite, e o Evandro ia na frente, e eu depois de um tempo alcançava.

Ficamos sem água. Havia um trecho bem longo que simplesmente não haviam postos. O pessoal do Pedala Gama também ficou sem água. Eu vi um caminhão parado com problemas mecânicos e umas 5 pessoas fazendo reparos e perguntei se ele teria um pouco de água para nos fornecer. Consegui encher 2 garrafinhas e parti. Uma era pra mim a outra pro Evandro até que chegassemos no posto que estaria a 12KM dali.

O tempo ainda estava “aceitável” mas se a velocidade caísse teria o risco de não atendermos os requisitos de tempo.  Passei por um trecho de pista que estava em reforma. Vi uma placa caída, desviei e segui. Uns 3KM de pois escuto o Evandro me gritando de um posto do outro lado da Pista “André! aqui!” e vou la. Nosso amigo “The Bala”  havia se distraído pegando a garrafa pra tomar água e bateu na referida placa. Furando novamente o Pneu. Como lá era escuro, ele CORREU (sim, ele é louco assim) por uns 2-3km até o Posto, empurrando a bike com Pneu furado.

Parei pra tentar ajudar na troca. O Evandro já pensando em desistir, e como estávamos com o tempo “escasso”, com este furo a coisa ficou um pouco mais complicada.

Falei pro Evandro chinelar. Ele estava melhor que eu e certamente conseguiria compensar o tempo. Eu como estava ruim possivelmente não. Ele não queria sair e me deixar pra trás, mas insisti porque apesar dos 4-5 furos de Pneu dele, quem atrasou ele pra caramba fui eu com a minha Pau-De-Ratice (existe esta palavra?). Então se ele não completasse seria por minha causa.

Segui pedalando ate ate chegar no próximo PC que era na Comunidade Rochedo. Lá encontro de novo a organização e o Evandro lá me esperando. Camarada faz maior festa quando me vê. Comi um pouco e tomei uma gatorade. Como o tempo estava apertando falei pra gente seguir.  Evandro na frente, e eu atrás.  Alcanço ele pela penúltima vez a uns 10KM do final. Com tempo de sobra pra fazer as 2 últimas subidas.  Ao chegar passar pela entrada da cidade um cachorro de porte médio resolve vir atrás de mim por uns 800-900M. Ainda bem que era uma leve descida pois se fosse uma subida o jeito seria encarar o bichano.

Chegando próximo da pousada vejo uma luz de bike piscando. Evandro me esperando na porta. E COM PNEU FURADO.

Chegamos, concluímos, brevetamos.

 

Obrigado Evandro, obrigado organização do Audax Goiás.

No final ainda rolou uma macarronada para os sobreviventes.

A nossa rota...
A nossa rota…

 

Saldo:

Pneus furados: EU 0, evandro 5.