Audax 400KM de Rio das Ostras

Encarar um Audax 400km depois de passar 20 dias sem pedalar por conta de uma gripe foi meio loucura, mas achei que seria tranquilo pois a altimetria prometia ser super tranquila em comparação com os outros audaxes.

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Perfil de elevação

Empacotei tudo e fui.

Bike pronta pra guerra
Bike pronta pra guerra

A prova teria no total 1500M de ganho de elevação. Isto para 400KM é bem pouco, considerando que o Audax 300KM de Hidrolândia teve 4207M de ganho em um percurso menor.

Então tranquilo – pouca subida, clima razoável… o que poderia dar errado?

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Ventinho “tranquilo” da região

Um vento de 20-25km/h direto na cara o tempo quase todo do trajeto. Na reunião técnica nos foi explicado que o vento viria forte e exatamente na direção contraria a rota na ida, mas que existia a possibilidade de vento a favor na volta.

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Reunião técnica

Bom, isto não ocorreu.

Uma amiga minha, ciclista bem mais experiente que eu e que ja havia feito o Audax de Rio das Ostras  – Andrea Malafaia – em conversa falei que iria fazer os 400KM de lá, e que deveria ser algo fácil com aquela altimetria… me respondeu – “Mas com aquele vento, eu preferia umas subidonas…”  mas o “esperto” aqui não achou que seria tao difícil um “ventinho”.

Eu e o João antes da largada
Eu e o João antes da largada

Largamos, fui “quase” acompanhando o colega João Pimenta até o primeiro PC, em Macaé (KM 68).  Chegamos lá com uma média boa, o João informou 26km/h.  O PC era bem tranquilo,  e bem completo. Comemos rapidamente algumas coisas leves (banana, pé-de-moleque, etc) bebemos e partimos.

Do PC1 para o PC2 o João já estava bem mais rápido que eu e já ia pegando distância. Pela minha falta de forma, achei melhor não forcar para não ter problemas. Da mesma forma que ocorreu no Audax de Hidrolândia, eu comecei a ter câimbra nas duas pernas, por volta do KM 80. Segunda vez que isto me ocorre, mas forço um pouco e a perna vê que chorar não vai adiantar e para com a câimbra.

A caminho do PC2, ocorreram 2 problemas.

1) Uma garrafa minha caiu e quebrou. Eu estava apenas com 2 garrafas (sem água na camel para não carregar peso) e entre os PCs, a distancia era imensa e com bastante calor. Fiquei sem água por bem uns 40KM até chegar e poder abastecer (aí enchi a mochila além da garrafa que sobrou).

2) Por erro meu e tambem  do tracklog que foi postado no site, eu e mais 2 ciclistas não estávamos conseguindo encontrar o ponto. O ponto de encontro não batia e ficamos girando atrás do local. (depois fui informado que o mapa que postaram foi o mesmo do Audax do ano  passado, e que neste ano o PC era em outro lugar).

Pedalamos um monte e perdi bastante tempo, mas esquecendo o tracklog e indo para planilha acabamos encontrando o PC2 (Quissamã, km 117).

Lá, fui encontrar novamente o João no PC2 Ele já havia almoçado e descansado e eu estava apenas chegando.

Peguei meu prato, comi, conversei, etc… Estava tudo teoricamente bem pois estávamos rodando com boa velocidade média. Por conta do erro, não estava.

Chegando no PC3 (Barra do Furado) – a moça do PC nos informou que ele seria fechado as 20:20h, eram 20:08h. Agilizamos tudo e partimos eu e Sandro, senhor gente finíssima  e guerreiro que conheci lá.

O Sandro era guerreiro – 67 anos, já conseguiu completar o Paris-Brest e apesar de ter caído logo no início da prova ( e aparentemente quebrado o dedo), resolveu continuar.

Guerreiro Sandro com Joelho e dedo enfaixados na chegada
Guerreiro Sandro com Joelho e dedo enfaixados na chegada

Fiz o resto inteiro da prova com ele.

Chegamos no PC4 (Farol de São Tomé) com uns 30 minutos de crédito. A organização havia acertado com a lanchonete que teríamos direito a um refrigerante, um sanduíche, um doce (sonho/etc) e água a vontade. Pedi para a moça trocar meu doce por um café e descansei um pouco.

Agora é a volta… Cada KM rodado nos aproxima do final.  Isto dá um efeito moral bom.

Mapa do trajeto
Mapa do trajeto

Mas mesmo com este efeito moral, quando dei uma paradinha para descansar na estrada o frio atacou. Pela previsão, a temperatura seria de 15 graus na madrugada, mas com aquela ventania a sensação térmica deve ter estado na casa dos 12 graus. Foi eu deixar o corpo esfriar que comecei a tremer as mãos e bater o queixo de forma absurda. Achei que teria que abortar ali mesmo mas depois de colocar a roupa quente deu pra segurar um pouco e começar a girar. Corpo esquentando e casaco o frio deu um tempo.

Resto da volta foi sem incidentes. Cansado mas “melhorando” a performance e dentro do tempo dos PCs. Sempre tomando cuidado com o tempo mas já meio que sabendo que conseguiria.

No final, o objetivo alcançado, mais uma prova “brevetada”.

Este foi o Audax que eu mais cheguei perto do tempo limite.

Resultado final de bastante suor
Resultado final de bastante suor

Queria agradecer ao meu amigo Mac, que me emprestou o apartamento em Rio das Ostras. O apartamento tinha uma vista horrível mas era muito confortável. Valeu Macolezz!

Vista do apartamento
Vista do apartamento

E tambem agradecer ao Sandro, que me aturou por tantos KMs.

Algumas fotos a mais da prova.

Já com passaporte na mão e pronto pra largar
Já com passaporte na mão e pronto pra largar
A magrela pronta para a sangria
A magrela pronta para a sangria
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Instantes antes da largada
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Cara de morto na chegada
Matando a fome já com a medalhinha
Matando a fome já com a medalhinha

 

E que venha o Audax 600KM de Florianopolis !!!LOGO-136813_200x200