Audax 600KM de Florianópolis.

Não consegui de novo.

Da primeira vez estava bem fisicamente, beeem melhor do que estou agora – mas tive problemas com a bike. Desta vez a bike foi impecável…. Zero furos, zero problemas mecânicos. O que faltou foi perna mesmo.

Na sexta feira, no período da tarde eu fui pedalando até a Della Bikes (que também seria nosso ponto de largada) para buscar o kit da prova (Camiseta, mapa, carta de rota, placa de numeração). Voltei pro hotel.

A noite, iria rolar a reunião técnica no hotel aonde eu estava hospedado. Foi la que encontrei pela primeira vez nesta viagem o guerreiro Sandro (mesmo camarada do Audax 400 do Rio das Ostras) e a Andrea Malafaia.

Reunião Técnica
Reunião Técnica

Saguão de convenções do hotel um pouco cheio. Ouvimos os comentários da organização da prova sobre o trajeto e tudo certo. Jantei, voltei pro quarto, deixei tudo pronto e dormi.

3AM despertador toca… Hora de partir. Tomo um banho rápido e sigo pedalando até a largada (3km).

Chegando lá encontro a galera toda, faço a vistoria. Tudo ok…

Pós vistoria. Pronto pra largar.

Dentro e já vistoriado, encontro o Sandro novamente. Todo animado pra largada.

Guerreiro Sandro
Guerreiro Sandro

e nada da Andréa. Comecei a ficar preocupado se ela iria aparecer ou não. Até que nos minutos finais ela chegou.

Partimos. Na largada fui bem e consegui fazer o trecho urbano seguindo o 2o pelotão para não precisar utilizar o GPS.

No caminho ao PC1, eu errei um pouco a rota, não fiz a curva onde deveria e segui por 1KM em erro. Iniciando a volta, encontro bem uns 12 ciclistas que também cometeram o erro(um deles ainda insistindo que o caminho estava certo). Todos voltamos e pegamos a rota correta (mas já sabia que meu total na prova daria 602KM).

Na volta encontrei a Andrea. Segui pedalando com ela.

Perto do PC1, passando por São Pedro de Alcântara, existem umas descidas simplesmente sensacionais. Se alguém vier para Floripa e tiver disponibilidade de bike, sugiro pegar o carro e ir ate la só para fazê-las. São descidas diferentes das que normalmente a gente encontra… Descidas longas a gente tem por toda parte, mas estas além de terem um asfalto bom, eram cheias de curvas. Fazer esta descida rápido parecia um pouco cena de filme. Muito legal.

Numa destas descidas me aconteceu um fato inédito. Vi um vulto escuro voando em minha direção e fui atingido na Viseira do capacete. Era um pássaro. Eu não cai, e o pássaro seguiu voando, mas que foi algo diferente, foi. Tipo do momento que eu gostaria de estar filmando.

Chegamos no PC1, Padaria do Anésio. La comi um sanduíche, bebi água, achocolatado parti.

Eu estava com uma velocidade media boa, sem sentir cansaço algum, estava super confiante. Eu diria até um pouco pilhado porque iria finalmente conseguir me tornar um Super Randonneur.

No caminho, vi um carro recém capotado no outro lado da pista (uns 70m, era uma pista dupla de mão única com divisória no meio) e vi um monte de gente correndo la para prestar socorro. Resolvi não parar pois além de ter muita gente, eu nao sou medico, bombeiro, socorrista, nem nada que pudesse acrescentar ali no momento.

O PC2 era LOOONGE pra caramba, 129KM do PC1, Sugeri para a Andrea que fizéssemos uma parada para almoço, tendo em vista que o outro PC seria em uma padaria também e provavelmente teríamos que ir a algum outro lugar para almoçar melhor de qualquer forma.

Paramos em 1 churrascaria, onde encontramos um outro grupo de ciclistas. Comi, descansei um pouco e saímos. Na saída, a Andrea ficou um pouco pra trás e me gritou que o Pneu dela havia furado.

Fizemos a troca e seguimos. (nota mental: tanto eu quanto Andrea precisamos treinar muito fazer trocas de pneus.)

Chegamos ao Beto Carreiro World. Brinquei com a Andrea que se a gente treinar ano que vem dava pra chegar com tempo bom ali e ir nos brinquedos antes de seguir pro resto da prova…

Beto Carrero World
Beto Carrero World
Beto Carrero World
Beto Carrero World

Seguimos para o PC2, em Guaramirim.

Eu ainda estava super confiante.

Eu ia passando em todos os pontos que tive problemas com a bike no ano passado e lembrando… “Aqui foi o primeiro furo, aqui o segundo, aqui começou a chover, aqui furou de novo” e ver que eu não estava tendo nenhum destes problemas neste ano me davam ainda mais certeza que iria completar tudo.

Ate tirei foto da Osni Bike, lojinha do interior, para a qual no ano passado eu corri de sapatilha por uns 5KM e empurrando a bike pra tentar conseguir uma câmara de ar e ao chegar la descobri que não tinham.

Osni Bikes
Osni Bikes

Chegando, parada rápida para obter o Boleto, colar no Passaporte e seguir. Lá encontro o Sandro novamente e resolvo fazer uma sacanagem com ele.

Lembram dele todo alegre na largada?

O que um Audax 600 nao faz com a pessoa.
O que um Audax 600 nao faz com a pessoa.

Seguimos para o PC3 em Guaramirim.

No caminho, pneu da Andrea fura novamente. Fazemos a troca, a câmara nova também fura durante a troca e acabamos tendo que fazer novamente.

No caminho, começa a chover um pouco. Pergunto para Andrea qual opinião ela tinha. Se arriscávamos um pouco mais ou se parávamos para colocar capa de chuva. Ela quis arriscar. Não foi uma boa ideia… Quando começou a chover não deu tempo de botar a capa de chuva antes de estar tudo molhado.

Chegamos no PC3, comi uma batata recheada, tomei um cafe e descansei um pouco.

Eu no PC3, ja nao tao confiante
Eu no PC3, ja nao tao confiante

Como era um PC virtual, peguei o boleto e seguimos.

No caminho pro PC4 (Blumenau), encontramos vários grupos e ciclistas. Alguns parados, outros passamos pedalando. Foi neste caminho que senti que talvez não fosse conseguir. Este caminho tinha algumas subidas.. nada exagerado, mas eu estava morrendo. Eu sinto que meu problema pode ser nutricional. Toda vez que eu comia algo em algum posto, restaurante, etc, eu saia como se eu estivesse novo. Era outra pessoa. Mas o pique novo durava 1h e se apagava. E não daria para ficar parando pra comer de 1h em 1h sem estourar o tempo.

Eu desisti a 4km do PC4. Eu iria chegar la com 1h de sobra. Mas do jeito que o meu corpo estava se comportando, sei que no PC5 eu também chegaria, e taaaaalvez, se fizesse muito esforço ao PC6, mas de forma alguma conseguiria o 7 o 8 e a chegada.

Resolvi então abortar ali para não prolongar o sofrimento. Peguei um táxi (plano era ir ate o PC4, e ver se eu conseguia alguma carona ate o PC5, que eh a pousada, aonde minha mochila estaria).

No caminho fiquei muito triste com 1 coisa. Vi a Andrea me esperando (perdendo tempo portanto) e parei o táxi pra avisar a ela que estava abortando.

Acabei indo de táxi do PC 4 ate o PC5 e já que estava com quarto reservado pela organização da prova, eu iria dormir das 2am até as 6am e no dia seguinte ver como voltaria para Florianópolis.

3 Outros ciclistas que também estavam abortando me ofereceram carona, e na manhãzinha seguinte vim de carro.

Os ciclistas que me deram carona pra Floripa.
Os ciclistas que me deram carona pra Floripa.

No caminho, ja na BR101, cruzamos com o Sandro e com a Andrea.

A Andrea infelizmente acabou errando o caminho do PC6 e perdeu muito tempo de prova (parte disto culpa minha) e resolveu abortar também. O Sandro ainda não tive noticias se conseguiu completar ou não.

Por minhas contas estimo que uns 12-15 ciclistas não conseguiram completar esta prova. Ano passado foi um pouco mais fácil.. Apenas eu abortei.

Mas digo apenas o seguinte, gostei pra caramba da prova, e mesmo se soubesse o resultado, faria novamente.

Segue abaixo o caminho que fiz 318KM de um audax 600.

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Saldo: Câmaras furadas EU 0, Andrea 3.

 

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