Relato sobre o Audax 300 de Hidrolandia

Falta de preparo, falta de planejamento e imprevistos marcaram esta prova. Na quinta feira anterior ao pedal que largaria sábado, eu fiquei até as 4AM trabalhando pra deixar tudo adiantado no trabalho. Até ai tudo bem, eu havia solicitado licença no período da tarde para poder ir cedo para Hidrolândia, preparar as coisas e dormir cedo.

Mas outros imprevistos ocorreram de forma que eu e Evandro saímos para lá umas 5:30/6h se não me engano. Engarramento, transito lento e fomos chegar la umas 10h. Como a pousada já não tinha serviço de restaurante funcionando, o funcionário nos indicou irmos para a “pracinha” pra jantar. Eu e Evandro comemos um hambúrguer e voltamos.

Preparamos tudo e fomos dormir. Um cachorro grande FILHA DA PUTA da vizinhança ficava latindo toda hora que ouvia alguma coisa… ate grilo fazendo CRI CRI fazia o bichano latir. O Evandro  queria ir la dar um tiro nele, mas no final nem eu nem ele dormimos direito.

Fazer Audax com 2 noites seguidas viradas e sem treino. E ainda um 300km de Hidrolândia.  Qualquer dia me internam…

Despertador toca as 4AM. Acordamos, ducha rápida e vamos pro café da manha. O idiota aqui resolve só comer massa e doces. Zero de Sal.

Saímos 10m atrasados e partimos.

Primeira zica: Ainda no escuro eu escuto o Evandro xingando. Pneu dele fura. Paramos pra trocar. Nisto para um carro da organização (que a propósito foi impecável). E o Flávio nos ajuda na troca. Evandro coloca a câmara  nova e começa a encher… O pneu não enche. Deve ter mordido quando foi colocado e furado novamente. Passo minha câmara reserva pra ele e fazemos mais uma troca… IDEM. O camarada da organização nos empresta uma e na terceira troca a coisa da certo e partimos.

Como o indivíduo aqui não ingeriu sais suficientes, naquele vacilo no café da manhã, no KM 80-90 eu começo a sentir as duas pernas querendo travar com câimbra.  Paramos num posto e comi uns salgadinhos. Uns 15KM depois a coisa resolveu e não senti a perna travando pelo resto da prova.

A quantidade de sal perdida no suor em uma prova assim

Seguimos pedalando até o PR. Parando algumas vezes em postos para comer algo e abastecer as caramanholas.  O Evandro sempre na frente imprimindo um ritmo bom desde a largada e eu atrás, tentando ser uma cópia carbono apagada desta impressão.

O Evandro (merecidamente apelidado de The Bala) eh aquele cara que serve pra você que acha que pedala bem, que ja fez Audax X Y e Z, etc ver que a coisa não é bem assim. O camarada pedala muito.

Chegamos no ponto de retorno no KM 161, Posto ALVORADA.

A organização foi excelente, reservaram uma sala (imagino que pra eventos) para nós. Chegando lá pela primeira vez em um Audax, senti o frio de um ar-condicionado. Lá tinhamos um lanche e sucos prontos e cadeiras para descansarmos.

Ainda com cara de vivo, no KM 161

Ficamos lá por volta de 1h deitando no chão, o Evandro tomou banho no banheiro do posto (que havia já sido pago pela organização do Audax) e saímos de lá as 3:20PM aproximadamente.

Meu ritmo caiu mais ainda no retorno.  Perna sem render nas subidas.  Viemos por minha culpa mantendo uma média que imagino ficasse na faixa dos 17-18km/h.

Já era noite, e o Evandro ia na frente, e eu depois de um tempo alcançava.

Ficamos sem água. Havia um trecho bem longo que simplesmente não haviam postos. O pessoal do Pedala Gama também ficou sem água. Eu vi um caminhão parado com problemas mecânicos e umas 5 pessoas fazendo reparos e perguntei se ele teria um pouco de água para nos fornecer. Consegui encher 2 garrafinhas e parti. Uma era pra mim a outra pro Evandro até que chegassemos no posto que estaria a 12KM dali.

O tempo ainda estava “aceitável” mas se a velocidade caísse teria o risco de não atendermos os requisitos de tempo.  Passei por um trecho de pista que estava em reforma. Vi uma placa caída, desviei e segui. Uns 3KM de pois escuto o Evandro me gritando de um posto do outro lado da Pista “André! aqui!” e vou la. Nosso amigo “The Bala”  havia se distraído pegando a garrafa pra tomar água e bateu na referida placa. Furando novamente o Pneu. Como lá era escuro, ele CORREU (sim, ele é louco assim) por uns 2-3km até o Posto, empurrando a bike com Pneu furado.

Parei pra tentar ajudar na troca. O Evandro já pensando em desistir, e como estávamos com o tempo “escasso”, com este furo a coisa ficou um pouco mais complicada.

Falei pro Evandro chinelar. Ele estava melhor que eu e certamente conseguiria compensar o tempo. Eu como estava ruim possivelmente não. Ele não queria sair e me deixar pra trás, mas insisti porque apesar dos 4-5 furos de Pneu dele, quem atrasou ele pra caramba fui eu com a minha Pau-De-Ratice (existe esta palavra?). Então se ele não completasse seria por minha causa.

Segui pedalando ate ate chegar no próximo PC que era na Comunidade Rochedo. Lá encontro de novo a organização e o Evandro lá me esperando. Camarada faz maior festa quando me vê. Comi um pouco e tomei uma gatorade. Como o tempo estava apertando falei pra gente seguir.  Evandro na frente, e eu atrás.  Alcanço ele pela penúltima vez a uns 10KM do final. Com tempo de sobra pra fazer as 2 últimas subidas.  Ao chegar passar pela entrada da cidade um cachorro de porte médio resolve vir atrás de mim por uns 800-900M. Ainda bem que era uma leve descida pois se fosse uma subida o jeito seria encarar o bichano.

Chegando próximo da pousada vejo uma luz de bike piscando. Evandro me esperando na porta. E COM PNEU FURADO.

Chegamos, concluímos, brevetamos.

 

Obrigado Evandro, obrigado organização do Audax Goiás.

No final ainda rolou uma macarronada para os sobreviventes.

A nossa rota...
A nossa rota…

 

Saldo:

Pneus furados: EU 0, evandro 5.

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